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Alfredo dos Santos Mendes
Debrucei-me à janela do passado.
Descortinei ao longe , lado a lado,
Momentos bons e maus por que passei.
Revi algumas horas de amargura,
Reduzidas a nada p’la ternura,
De amigos que não mais esquecerei!
Eu vi braços abertos me aguardando.
Mil lenços coloridos me acenando,
ao som de uma suave melodia.
Do céu, caíam pétalas de rosas.
Ensaiando um bailado... graciosas,
no meu palco de sonho e fantasia!
Olhei o firmamento constelado.
E vi o meu futuro iluminado,
de bênçãos, de carinho, muito amor.
Arredado de mim tinha ficado:
Toda a má influência do passado,
que dera tristeza e tanta dor!
Senti a brisa fresca no meu rosto.
Senti na minha boca um doce gosto,
Como se fosse um beijo delicado.
Senti o peito arfando de alegria.
E tal como num truque de magia...
Tinha a felicidade do meu lado!
Senti um forte abraço me apertando.
E alguém ao meu ouvido sussurrando:
Não mais estarás só nesta jornada.
Fechei minha janela com cuidado.
E rabisquei no vidro embaciado:
A vida sem amigos não é nada!
Lago, 01/05/03 |