Sou a esmaecida luz da aurora
Aquartelada nos recantos d’alma
A tétrica algia que ao peito deplora
Esvair-se o vazio que a devora.
Sou a terna mão amiga
Que a si mesma abriga
No laborioso afã de se salvar
Do quanto lhe fira a intriga
Dos que ainda não sabem amar,
Mas amo a contrapartida
Do amor fenecente
De per si não contente
Se de fato não vingar
Na luz que lhe é semente
Na força de se dar,
Ah horas incandescentes,
São os momentos prementes
E não me desviem do tempo
Em que deverei amar!
Capivari, 23/03/2007 |
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