Aguardei-te e vi fenecer,
Lentamente
Nas cinéreas horas desta delonga
Qual ultrajante espera
Cingida pelo tempo
Da própria demora,
Algo da esperança e ternura.
E tu, indiferente aos rogos,
Friamente ousaste olvidar-me.
Vai-te então, sob os auspícios das brumas,
Que te farão pretérita,
Esqueçamo-nos.
Lança-te a outras plagas
Pois em meu peito, é certo,
Agora divaga
O alvorecer de outro amor.
Ah, quimérica esperança,
Tu, cúmplice de mim,
Viste findar uma espera
Em que também, quase findei.

Capivari, 06/03/2007

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declamação: Anna Müller

 

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