José Roberto Abib

Martiriza-se à mingua
De sentimentos inconseqüentes
Afrontando a coerência,
O homem e sua indiferença.
Látego do ardor postergado
De si próprio
Na prática dos desafetos ao dom de amar
Até mesmo nas próprias adjacências,
Fronteira glacial de suas fraquezas.
Irretrátil não concebe o mal que faz,
Mas sem muitas reticências
Contradiz-se com a seqüência
De insidiosa, malsã insistência,
Na imperícia de amar.
E nos recônditos do eu
Oclui-lhe mancha obscura
Cingindo-o descontente à periferia
De um ser incompleto.
Sua condenável insistência
Em pensar que não existe, nem é,
Quem lhe tem semelhança.
Oh injustos mártires de visão material,
Assaz mundana.
Do tempo veloz do qual dimana
O arquétipo das chamas
No flâmeo e doloso ardor
Com que se anula, resfria e mata,
O humano e sua brutal displicência
Ah, pobre do próximo,
Jaz na inércia do próprio anonimato!

Capivari, 08/01/2007

 

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soundback: declamação de Anna Müller

 

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